sábado, 17 de outubro de 2009

Inerte

Sinto me anestesiada
incapaz , imóvel ,
louca por andar
temendo afundar .

Meus movimentos deveriam ser ascendentes
fico inerte , duvidosa
temendo o mergulho sem volta
continuo parada , parada , parada ...






Eliana Avelar

Psiu ...

Psiu ...
silêncio ...
Sua alma quer falar.

Falar como ? Depois de tanto tempo
emudecida ?
AMORDAÇADA !!!

Hora da transparência ,
caso contrário,
é morte certeira.

Hora de descansar o íntimo
dizer que pensa
sem importa-se com julgamentos ,
hora de fluir a verdade.

Psiu...
silêncio ... atenção ... ouça ...
A verdade pode sair ...







Eliana Avelar

Minha alma , meus sentidos

"Minha garganta aperta
meu ouvido estranha"
os sons vindos da minha alma,
olhos que ardem
enchem-se sem conseguir transbordar

Lágrimas guardadas há anos
medo de saírem
como sinal de fraqueza
medo de transbordar
e mudar o curso da vida

Do alto, ou baixo ,dos inúmeros setembros
insistem as dúvidas
a roer minha alma
a esburacá-la cada dia mais.

O fundo do poço é terrível ,
sombrio, triste , humilhante,
lá persisto em ficar
como semente ,esperando a hora de germinar

Garganta , ouvido , olhos ,boca
um corpo , vários sentidos
que chamam por ressurgir ,
ou seria melhor morrer ?
Nasceria vida nova na velha alma ?





Eliana Avelar

Encontro

Peito apertado , nauseante,
questionamentos mil,
dúvidas inúmeras frustrações incontáveis.

Por quê? Como aconteceu?

Nos primórdios: a esperança ,
a imaturidade prevalecia
Sonhos,sonhos...
pequenas e grandes ideias.

O tempo fluiu ,
as desesperanças surgiram.
Muitos tombos , aranhões.
Dói meu coração,
dor de alma insegura.

O peso do tempo
outras vidas umbilicalmente atadas a mim.
O medo imenso de errar,
a necessidade de acertar.

Acertos paridos de meu encontro
encontro atrasado
encontro esperado
encontro temido e necessário.

Necessário é viver ,
é sanar a dor,
é surgir auto-confiança
é deixar doer , arder até morrer.
Morrer é vital para viver







Eliana Avelar